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Opinião Yamaha DGX-670

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O Yamaha DGX-670 chega à categoria dos teclados arranjadores com uma promessa sedutora: ser ao mesmo tempo um piano digital credível E uma orquestra completa num formato portátil. Depois de ter testado inúmeros teclados, posso dizer com toda a convicção que este duplo papel raramente é desempenhado com elegância. No entanto, este teclado arranjador Yamaha de gama média merece mesmo uma análise aprofundada.

Com um preço abaixo dos 800€, o Yamaha DGX-670 mira claramente pianistas iniciantes e intermédios que querem explorar além das simples escalas. Estamos a falar de um instrumento que atrai tanto os aprendizes de composição como os animadores de festas em família. Com o seu ecrã a cores, os 630 sons e os 263 estilos de acompanhamento, promete transformar a sala de estar num mini-estúdio de produção.

Neste teste completo ao Yamaha DGX-670, vou dissecar este teclado por todos os ângulos: o seu toque GHS tão discutido, a qualidade real desse famoso som CFX, a ergonomia de uma interface recheada de funções, e sobretudo responder À questão que realmente importa: é um verdadeiro piano digital com funcionalidades extra, ou um arranjador disfarçado de piano? Spoiler: a resposta vai surpreender quem pensa conhecer a gama Yamaha como a palma da mão.

A nossa opinião sobre o Yamaha DGX-670
  • 📦 Apresentação
  • 🎧 Qualidade sonora
  • 🎹 Teclado e toque
  • 🛠️ Funcionalidades e conectividade
  • 🏠 Utilização
  • 🎁 Acessórios
  • 💰 Relação qualidade/preço
4.6

Resumo

O DGX-670 parece-me uma escolha excelente para quem quer começar a sério sem gastar uma fortuna. A Yamaha apostou alto neste modelo de gama média: 88 teclas com uma ação GHS bastante sólida, o som do CFX (o piano de concerto da marca) e uma polifonia de 256 vozes que permite tocar sem qualquer limitação. Os 630 sons e os 263 estilos de acompanhamento oferecem uma paleta criativa impressionante, enquanto o ecrã a cores facilita muito a navegação. É verdade que a ação das teclas continua a ser básica quando comparada com os modelos de gama superior, mas ao preço que custa, o conjunto é coerente e completo. Recomendo-o especialmente a iniciantes que querem um verdadeiro teclado arranjador versátil, ou a músicos que procuram um segundo teclado para compor.

Vantagens

  • Som de piano Yamaha CFX excecional
  • Polifonia de 256 vozes para uma riqueza sonora superior
  • Ecrã a cores TFT para uma utilização intuitiva
  • Conectividade Bluetooth 4.1
  • Grande variedade de sons e estilos de acompanhamento

Desvantagens

  • Acessórios opcionais não incluídos (pedais e suporte)
  • Peso de 21,4 kg, bastante pesado para transportar

🎥 Vídeo de demonstração do Yamaha DGX-670

📦 Apresentação do Yamaha DGX-670

O Yamaha DGX-670 transmite confiança logo quando se tira da caixa. A Yamaha apostou num design sóbrio e profissional, bem longe dos teclados de brinquedo que aparecem às vezes nesta faixa de preço. O plástico usado tem uma solidez que se sente, com um acabamento que resiste bem às marcas de dedos, um pormenor que se aprecia bastante quando se passam horas a mexer nos botões.

O ecrã a cores TFT de 4,3 polegadas ocupa orgulhosamente o centro do painel de controlo, como um pequeno farol no labirinto dos menus complexos. A legibilidade é excelente mesmo com muita luz ambiente, e a interface gráfica moderna faz esquecer os velhos displays LCD monocromáticos. Os botões físicos à volta do ecrã têm um retorno tátil satisfatório, nem moles demais, nem com um clique demasiado ruidoso.

Com os seus 21,4 kg e 140 cm de largura, o Yamaha DGX-670 ocupa um ponto de equilíbrio interessante. Pesado demais para andar com ele debaixo do braço como uma guitarra, mas leve o suficiente para ser mudado de divisão sem drama. O suporte L-300 B opcional transforma o conjunto num móvel fixo com credibilidade, embora o teclado se use perfeitamente pousado numa mesa.

A disposição dos controlos revela uma filosofia clara: as funções essenciais ficam acessíveis por botões dedicados, enquanto as configurações mais avançadas se escondem nos menus. Esta abordagem híbrida evita a armadilha do teclado-árvore-de-natal sem sacrificar o acesso rápido a estilos e sons. A estante de partituras incluída monta-se de forma sólida e aguenta uma partitura encorpada sem dobrar ao primeiro sopro de vento.

🎧 Qualidade sonora

O som do piano CFX é o cartão de visita sonoro do DGX-670, e a verdade é que a Yamaha não poupou na amostragem. Este piano de cauda de concerto entrega um calor e uma profundidade notáveis para um teclado desta categoria. As nuances pianissimo passam com delicadeza, enquanto os fortissimos mantêm o corpo sem saturar. É uma façanha técnica que merece ser reconhecida.

A tecnologia VRM (Virtual Resonance Modeling) acrescenta essa dimensão orgânica que faz tanta falta nos pianos digitais mais básicos. As ressonâncias entre cordas, o sustain natural, esses micro-detalhes que fazem um piano soar vivo em vez de estático. Atenção, porém: esta magia funciona sobretudo com auscultadores ou através de colunas externas. Os altifalantes integrados de 2×6 Watts não têm como competir com um sistema dedicado.

Para além do piano acústico, o catálogo de 630 sons reserva surpresas genuínas. Os pianos elétricos Wurlitzer e Rhodes soam de forma surpreendentemente autêntica, os órgãos saem-se muito bem, e alguns pads sintéticos fariam corar teclados workstation muito mais caros. Os sons Super Articulation trazem uma expressividade extra nos instrumentos de sopro e de cordas, embora nem todos os timbres beneficiem deste tratamento especial.

A polifonia de 256 vozes garante que nunca se fica sem notas, mesmo sobrepondo várias camadas com um acompanhamento automático em fundo. Esta generosidade técnica contrasta com certos concorrentes que cortam neste parâmetro tão importante. O Intelligent Acoustic Control ajusta automaticamente a equalização em função do volume de escuta, uma função discreta, mas eficaz a sério, para preservar o equilíbrio tonal em volumes baixos.

🎹 Teclado e toque

O teclado GHS (Graded Hammer Standard) divide a comunidade há anos, e o Yamaha DGX-670 não foge ao debate. Esta mecânica oferece uma gradação do peso das teclas do grave para o agudo, imitando o comportamento de um piano acústico. As teclas graves oferecem uma resistência notável, enquanto as agudas se mostram mais leves… até aqui, tudo bem.

Onde a coisa falha é na sensação geral do toque. O GHS não tem a profundidade mecânica que se encontra nos teclados de gama alta. A course das teclas é aceitável, mas o retorno depois do enfoncement dá por vezes a sensação de estar a saltar numa mola em vez de controlar um martelo. Para um iniciante ou alguém que toca ocasionalmente, esta diferença passa despercebida. Para um pianista mais exigente, pode tornar-se irritante ao fim de algumas horas de prática intensa.

A superfície das teclas em plástico liso defende-se com dignidade, sem chegar ao conforto dos revestimentos ivory-feel de gama superior. Os dedos deslizam um pouco mais do que seria desejável nas passagens rápidas, sobretudo quando as mãos transpiram um pouco. Este pormenor técnico pode parecer insignificante, mas influencia diretamente a confiança no jogo, especialmente nas peças mais velozes do repertório romântico.

O ruído mecânico mantém-se dentro de proporções aceitáveis. Nenhum estalar intempestivo vem perturbar as sessões com auscultadores, o que é uma vantagem real para quem pratica de noite num apartamento. A sensibilidade à velocidade responde de forma previsível e linear, permitindo um controlo matizado da dinâmica. É um requisito mínimo para qualquer instrumento que se queira levar a sério.

🛠️ Funcionalidades e conectividade

O Yamaha DGX-670 embarca um arsenal de funcionalidades que transforma um simples teclado num verdadeiro centro de produção musical. O gravador de áudio WAV integrado permite capturar composições diretamente numa pen USB, sem passar pelo computador. Esta autonomia vai seduzir os compositores espontâneos que querem imortalizar uma ideia antes que ela se evapore algures na memória.

Os 263 estilos de acompanhamento cobrem um espectro musical impressionante: do jazz manouche à bossa nova, passando pelo rock e pelas baladas pop. Cada estilo propõe variações e fills que dinamizam o arranjo, evitando o efeito de caixa de ritmos monótona. O botão One Touch Setting ajusta automaticamente os sons e os efeitos em função do estilo selecionado, um ganho de tempo apreciável quando se saltita entre universos musicais diferentes.

A conectividade Bluetooth 4.1 oferece dois modos distintos: áudio para fazer streaming de música a partir de um smartphone, e MIDI para controlar aplicações como o GarageBand ou o Cubasis. Esta dupla funcionalidade transforma o teclado numa interface áudio portátil, ideal para sessões de improvisação sobre backing tracks ou para registar ideias numa DAW móvel. A aplicação Smart Pianist da Yamaha completa o ecossistema com controlo visual dos parâmetros via tablet.

As entradas e saídas físicas não decepcionam: USB to Host e to Device, saída para auscultadores, entrada de microfone com efeitos vocais, entrada auxiliar para ligar um leitor externo e conector para pedal de sustain. A ausência de uma saída de áudio estéreo em jack 6,35mm faz-se sentir para quem pretende usar o instrumento em palco com sonorização externa, uma opção de design questionável para um instrumento que flirta com usos semiprofissionais.

🏠 Utilização

Desde o momento em que se liga, o Yamaha DGX-670 demonstra uma ergonomia verdadeiramente pensada para o utilizador. A interface não afoga o iniciante numa teia de menus labirínticos, oferecendo ao mesmo tempo profundidade suficiente para satisfazer o utilizador mais avançado. A navegação combinada entre ecrã tátil e botões físicos cria uma sinergia eficaz: toca-se no ecrã para selecionar, roda-se os encoders para ajustar. Simples assim.

Os modos de jogo revelam-se particularmente bem pensados para a aprendizagem. O modo Dual sobrepõe dois sons, perfeito para criar texturas ricas de piano com cordas. O modo Split divide o teclado em duas zonas independentes, ideal para tocar um baixo com a mão esquerda e um solo com a direita. Estas funções, acessíveis em dois toques de botão, encorajam a experimentação sem frustração técnica.

Para a prática em casa, o Yamaha DGX-670 brilha pela sua polivalência. De manhã serve de piano para os exercícios técnicos. À tarde transforma-se em órgão de igreja para trabalhar Bach. À noite torna-se uma estação de composição pop com os seus acompanhamentos automáticos. Só isto justifica o investimento para um músico de gostos eclécticos.

A portabilidade do teclado abre possibilidades nómadas interessantes. Claro que não se leva debaixo do braço com a facilidade de um Reface, mas é transportável para sessões em casa de amigos músicos ou pequenas atuações em contextos associativos. A alimentação de rede standard evita as surpresas das baterias descarregadas no pior momento possível, ainda que esta dependência da corrente limite o uso ao ar livre.

🎁 Acessórios

A Yamaha fornece o DGX-670 com um kit de acessórios correto mas que fica aquém do ideal. O footswitch incluído cumpre o seu papel para o sustain básico, mas a construção ligeira em plástico trai uma vontade clara de poupar custos. Em superfícies lisas, desliza como um patinador no gelo, obrigando a encostá-lo a um móvel ou a investir num tapete antiderrapante. Funcional, sim, mas longe do conforto de um pedal de piano a sério.

A estante de partituras fornecida monta-se e desmonta-se sem necessitar de um curso de engenharia, algo que vale a pena sublinhar, dado que certos fabricantes complicam desnecessariamente esta operação tão básica. A sua robustez permite suportar partituras volumosas ou um tablet sem dobrar de forma preocupante. O plástico usado está à altura da qualidade geral do instrumento: sólido sem ser luxuoso, prático sem ser excecional.

O transformador externo evita o sobreaquecimento da eletrónica interna, uma escolha técnica sensata para a longevidade do instrumento. O cabo é suficientemente comprido, embora uns centímetros extra fossem bem-vindos nas configurações de estúdio mais complexas. A ausência do pedaleiro triplo no pacote base é compreensível dado o preço contido, mas representa uma lacuna para os pianistas mais exigentes.

O conjunto de três pedais LP-1 BK opcional colmata este inconveniente com funções de sostenuto e soft à altura. Este pedaleiro transforma a experiência de jogo, especialmente no repertório romântico e impressionista que tanto explora estas nuances. O suporte L-300 B, também opcional, traz a estabilidade de um móvel dedicado, embora o seu preço faça subir rapidamente o orçamento. É um cálculo a fazer consoante as condições de utilização.

📝 Características técnicas do Yamaha DGX-670

CaracterísticaDetalhe
Keys88
Illuminated Push-ButtonNo
Touch-SensitveYes
AftertouchNo
Storage MediumUSB to Device
Lyrics FunctionYes
Score FunctionYes
Vocal HarmonyNo
USB AudiorecorderYes
Midi Interface1x USB Mini/Audio
Microphone inputYes
USBYes
Polyphony256
Speaker2x 6 W
Dimensions in mm1397 x 445 x 151
Weight in kg21,4 kg

🕵️‍♂️ Vale mesmo a pena o Yamaha DGX-670?

O Yamaha DGX-670 consegue a façanha arriscada de casar piano digital com teclado arranjador sem cair na armadilha do compromisso torto. O seu posicionamento de gama média abaixo dos 800€ justifica-se plenamente pela qualidade do som CFX, pela riqueza funcional e pela conectividade moderna. A Yamaha criou um instrumento que cresce com quem o toca, desde a primeira aula de música até às composições mais elaboradas em home studio.

Este Yamaha é ideal para pianistas do nível iniciante ao intermédio que procuram um instrumento versátil e com margem de evolução, para professores que querem uma ferramenta pedagógica completa, e para produtores de home studio que valorizam a espontaneidade de gravar diretamente. Animadores de eventos e tecladistas de igreja também ficarão bem servidos, graças aos estilos de acompanhamento e à variedade de sons disponíveis. Já os pianistas mais puristas, que procuram acima de tudo um toque acústico convincente, farão melhor em olhar para um piano digital dedicado como o Yamaha P-515 ou o Kawai ES920. Da mesma forma, músicos de palco que necessitam de uma robustez à prova de tudo preferirão workstations mais resistentes.

Fico, ainda assim, impressionado com a maturidade deste DGX-670. A Yamaha percebeu que um bom teclado arranjador já não pode sacrificar a qualidade da experiência de toque em nome da polivalência. Essa filosofia transparece em cada detalhe, do sampling CFX cuidado à ergonomia bem pensada. É um instrumento que prova que gama média não tem de rimar com compromisso medíocre.

Autor

Otávio

Otávio COSTA ALVES

Cresci a ouvir fado e a tentar reproduzi-lo num teclado Casio com três oitavas. Não era bem a mesma coisa, mas foi o início de tudo. Três décadas depois, ainda não larguei as teclas: do piano digital ao sintetizador mais estranho da loja, testo, comparo e opino sem papas na língua. Aqui escrevo para quem está a começar e para quem já sabe mas quer saber mais, sempre sem complicar o que não precisa de ser complicado. O meu combustível? Um café bem forte e uma boa desculpa para ligar mais um instrumento.

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