Otávio não se lembra de um tempo sem música. Cresceu em Lisboa a ouvir fado nas festas de família e a tentar decifrar as melodias num teclado Casio emprestado, três oitavas que pareciam um universo inteiro. Foi assim que começou: de ouvido, por teimosia, e com uma vontade enorme de perceber como é que aquelas teclas podiam contar histórias.
Ao longo de três décadas, passou pelas mais variadas máquinas: pianos digitais de entrada de gama, sintetizadores vintage de temperamento difícil, workstations de estúdio, teclados arranjadores de todos os tamanhos. Cada instrumento deixou marca: nos dedos, na memória, e às vezes também na carteira. Esse percurso de curioso incurável deu-lhe uma visão prática e honesta do mercado, longe dos catálogos cor-de-rosa e dos argumentos de venda que prometem demasiado.
Hoje, Otávio escreve para OPequenoPianista.com com um objetivo simples: ajudar quem está a começar a não perder-se, e quem já toca a ir mais longe, sem complicações desnecessárias. Testa com rigor, escreve sem jargão inútil, e não tem problema nenhum em dizer quando um instrumento o desiludiu. A honestidade, para ele, é a forma mais respeitosa de falar com outros músicos.
Quando não está a testar teclados ou a escrever, Otávio anda pelas lojas de música do Chiado à procura de nada em especial, improvisa de auscultadores quando a casa já está em silêncio, e continua a sua busca pelo teclado perfeito… uma busca que, espera ele, nunca chegue mesmo ao fim.