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Opinião Crumar Seventeen

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O Crumar Seventeen chega como um fantasma dos anos 80 que tivesse aprendido uns truques modernos pelo caminho. Este piano de palco de 12 kg posiciona-se no segmento intermédio com uma abordagem assumidamente vintage, mas não nos deixemos enganar: por baixo desse visual retro esconde-se uma tecnologia híbrida que mistura modelação física e amostras de som.

Com as suas 73 teclas e mecânica com martelos, destina-se sobretudo a tecladistas de palco que procuram sonoridades elétricas autênticas sem esvaziar a carteira. O seu preço coloca-o em concorrência direta com referências já estabelecidas, mas a Crumar aposta no carácter e na originalidade em vez de tentar ser boa em tudo.

Nesta análise, vou dissecar o que torna este pequeno italiano tão especial, avaliar se a sua promessa vintage se sustenta frente aos grandes nomes do setor, e perceber para quem é que este Seventeen pode tornar-se o companheiro de palco ideal. Spoiler: não deixa ninguém indiferente.

A nossa opinião sobre o Crumar Seventeen
  • 📦 Apresentação
  • 🎧 Qualidade sonora
  • 🎹 Teclado e toque
  • 🛠️ Funcionalidades e conectividade
  • 🏠 Utilização
  • 🎁 Acessórios
  • 💰 Relação qualidade/preço
4.4

A nossa opinião sobre o Crumar Seventeen

O Crumar Seventeen conquista-me pela sua autenticidade vintage e por uma polivalência notável num formato ultra-compacto de apenas 12 kg. Esta pequena maravilha de gama alta reúne o melhor de dois mundos com uma combinação inteligente de modelação física e sampling, oferecendo sonoridades de pianos elétricos com uma fidelidade surpreendente que me remeteram imediatamente para os estúdios dos anos 80. O teclado com mecânica de martelos em 73 teclas proporciona um toque genuíno, enquanto os seus geradores sonoros cobrem o essencial: do Fender Rhodes ao Wurlitzer, passando por pianos acústicos e sons de sintetizador vintage. É verdade que a ausência de altifalantes integrados obriga a recorrer a uma amplificação externa, mas é precisamente isso que o torna no instrumento de palco ideal para músicos mais exigentes. Um investimento inteligente para quem procura a alma vintage num formato moderno.

Vantagens

  • Design vintage muito apelativo
  • Grande variedade de sons e efeitos
  • Toque pesado autêntico e agradável
  • Leve e fácil de transportar

Desvantagens

  • Suporte não incluído
  • Sem colunas integradas

🎥 Vídeo de demonstração do Crumar Seventeen

📦 Apresentação do Crumar Seventeen

O Crumar Seventeen ostenta as suas raízes dos anos oitenta com um design que não conhece meias medidas. O chassis em preto mate, de linhas angulares, evoca imediatamente a estética dos sintetizadores vintage, e faz isso de forma completamente intencional. Com 12 kg, mantém-se na categoria dos pesos-leves para um piano de palco, tornando-se um companheiro de viagem ideal para os músicos em constante movimento.

O acabamento revela um cuidado particular nos detalhes. O metal transmite solidez, os potenciómetros oferecem uma resistência agradável ao toque, e o conjunto irradia uma robustez tranquilizadora. O painel de controlo, centrado em torno de um pequeno ecrã LCD, aposta numa abordagem minimalista com botões de navegação claramente identificados.

Em termos de ergonomia, a Crumar tomou a decisão acertada de concentrar todas as ligações no lado esquerdo. Prático em palco, evita cabos a arrastar pela parte de trás do instrumento. O formato compacto de 1110 x 160 x 380 mm permite integrá-lo facilmente na maioria dos setups, mesmo nos mais apertados.

Um pormenor a não ignorar: não há altifalantes integrados. É uma escolha assumida para um instrumento de palco, mas convém sabê-lo antes da compra. Liga-se, toca-se, ponto final.

🎧 Qualidade sonora

O Crumar Seventeen aposta tudo nos timbres elétricos e acústicos vintage, e é precisamente aí que reside o seu maior trunfo. Os pianos elétricos Tine e Reed soam com uma autenticidade assinalável, captando aquelas micro-imperfeições que dão charme aos instrumentos originais. A modelação física traz aquela reatividade orgânica que se espera de um Rhodes ou de um Wurlitzer.

Os pianos acústicos, German 274 e Japanese Acoustic Grand, surpreendem pela sua presença. Sem atingir o nível de detalhe dos especialistas do género, oferecem uma alternativa credível para os momentos em que o acústico se impõe. O grão, a dinâmica, tudo o que é preciso para convencer dentro de um mix de banda.

O Electric Grand e o Clavi completam de forma inteligente a paleta sonora, com características que encaixam na perfeição no espírito vintage do instrumento. Os sons DX e MKS Digital E.P. acrescentam aquele toque oitentista indispensável, reproduzindo com fidelidade as texturas metálicas e cristalinas da época.

A secção de efeitos merece uma menção especial. Tremolo, chorus, flanger, phaser e wah aplicam-se com uma musicalidade evidente, sem aquela frieza digital que tantas vezes se critica nos efeitos integrados. A reverberação e o delay independentes permitem esculpir o espaço sonoro com precisão.

🎹 Teclado e toque

As 73 teclas do Crumar Seventeen adotam uma mecânica de martelos que surpreende pela sua coerência. O toque evoca o de um piano elétrico vintage, com aquela resistência progressiva que caracteriza os instrumentos da época. Não há simulação de escape, mas há uma resposta dinâmica honesta que permite a expressão.

A superfície das teclas oferece uma aderência adequada, sem aquela sensação escorregadia que se aponta a alguns teclados nesta gama de preços. O retorno tátil mantém-se constante ao longo de toda a extensão, sinal de uma calibração cuidada. Os pianistas habituados a teclados mais pesados não se vão sentir deslocados.

A reatividade à velocidade merece destaque. As nuances passam de forma natural, dos pianissimi mais delicados aos fortissimi mais enérgicos. Esta expressividade é um trunfo de peso para interpretações que exigem subtileza.

O formato de 73 teclas pode estranhar ao início, mas corresponde na perfeição ao uso em palco. Suficiente para a grande maioria das situações, permite ganhar em compacidade sem sacrificar o essencial. Uma vez adquirido o hábito, passa a apreciar-se esta otimização de espaço.

🛠️ Funcionalidades e conectividade

O Crumar Seventeen adota uma abordagem direta: 64 presets criteriosamente selecionados, ponto final. Sem bancos de sons intermináveis nem possibilidades de edição complexas, apenas o essencial para o palco. Esta simplicidade assumida vai agradar aos músicos que preferem tocar a programar.

A conectividade mantém-se no registo da eficiência: duas saídas de linha simétricas em jack 6,3 mm, uma saída para auscultadores e a indispensável entrada para o pedal de sustain. O MIDI Out e o USB-MIDI permitem a integração em setups mais complexos ou a gravação ao vivo.

O EQ interno e a simulação de amplificador acrescentam uma dimensão extra à moldagem sonora. Embora discretos na interface, estes recursos permitem adaptar o som às condições de palco ou às preferências pessoais. A simulação de amp traz, em particular, aquele calor analógico que tantas vezes falta aos instrumentos digitais.

A alimentação interna é uma vantagem não desprezível. Acabaram-se os transformadores externos que se perdem e se esquecem, tudo está integrado no chassis. Um pormenor que simplifica muito a vida em palco e evita surpresas desagradáveis na hora do soundcheck.

🏠 Utilização

O Crumar Seventeen brilha pela simplicidade de abordagem. Liga-se, escolhe-se um preset, e está pronto. A interface, ainda que minimalista, dá acesso rápido às funções essenciais. O ecrã LCD, pequeno, é certo, mas mostra a informação necessária sem excessos.

Em palco, o instrumento revela-se de uma fiabilidade exemplar. Os 12 kg transportam-se sem esforço, a instalação demora segundos e a resposta é imediata. Sem tempos de carregamento, sem menus complicados, apenas a eficiência que se exige de uma ferramenta profissional.

Em estúdio, encontra naturalmente o seu lugar como fonte de timbres vintage autênticos. A qualidade das saídas permite a gravação direta, e as características sonoras integram-se na perfeição em produções que procuram essa cor retro. O USB-MIDI facilita a integração nas DAWs modernas.

Para uso doméstico, a ausência de altifalantes pode ser um entrave. Será preciso ter um sistema de amplificação ou ficar pelo auscultador. Mas no espírito do instrumento, este uso é sempre secundário face à sua verdadeira vocação: o palco.

🎁 Acessórios

A Crumar entrega o Seventeen com o estritamente necessário: um cabo de alimentação. Ponto final. Esta abordagem espartana pode surpreender, mas corresponde à filosofia do instrumento, o essencial, sem enfeites. Os músicos de palco geralmente já têm o material necessário.

A ausência de pedal de sustain na caixa pode irritar, ainda mais porque a entrada dedicada fica ali à espera. Será preciso prever essa compra adicional, o que representa um custo extra a considerar no orçamento total.

O suporte adequado, referenciado como opcional, merece alguma reflexão. Com 12 kg, o Seventeen pode ser colocado na maioria dos stands universais, mas um suporte dedicado garante uma estabilidade superior. Vale a pena ponderar em função do uso previsto e do orçamento disponível.

A alimentação interna compensa em parte esta austeridade nos acessórios. Sem transformador externo, o instrumento alimenta-se diretamente da tomada com o cabo fornecido. Um pormenor prático que evita esquecimentos e simplifica as deslocações.

📝 Características técnicas do Crumar Seventeen

CaracterísticaDetalhe
Number of keys73
Hammer Action KeysYes
Number of Sounds64
EffectsYes
SpeakerNo
Headphone Outputs1
SequencerNo
MetronomeNo
Master keyboard functionYes
Pitch BendNo
Modulation WheelNo
Split Zones0
Layer FunctionNo
Midi Interface1x Out
Included AccessoriesPower Cable
Weight12,0 kg

🕵️‍♂️ Vale mesmo a pena o Crumar Seventeen

O Seventeen cumpre a sua promessa: oferecer sonoridades eléctricas vintage autênticas num formato compacto e acessível. A personalidade assumida torna-o um instrumento com carácter próprio, perfeito para tecladistas que procuram essa cor retro sem concessões. Os 64 presets, bem selecionados, cobrem o essencial das situações de palco e estúdio.

Os seus pontos fortes residem na qualidade dos pianos eléctricos, na compacidade do formato de 73 teclas e numa simplicidade de utilização que vai direto ao assunto. Os efeitos integrados e a simulação de amplificador completam a proposta de forma inteligente, acrescentando essa dimensão vintage indispensável.

As limitações são claras: sem altifalantes, acessórios reduzidos ao mínimo e uma versatilidade voluntariamente contida. Destina-se a músicos que sabem exactamente o que procuram e não precisam de um canivete suíço sonoro.

Os tecladistas de bandas de rock, pop ou jazz vão encontrar neste Crumar um companheiro ideal para sonoridades eléctricas. Já quem procura um instrumento versátil para todo o tipo de usos, melhor procurar noutro lado. Depois de 30 anos a testar teclados, posso dizer com toda a convicção que o Seventeen tem essa qualidade rara: não se parece com mais nada, e é exactamente isso que lhe pedimos.

Autor

Otávio

Otávio COSTA ALVES

Cresci a ouvir fado e a tentar reproduzi-lo num teclado Casio com três oitavas. Não era bem a mesma coisa, mas foi o início de tudo. Três décadas depois, ainda não larguei as teclas: do piano digital ao sintetizador mais estranho da loja, testo, comparo e opino sem papas na língua. Aqui escrevo para quem está a começar e para quem já sabe mas quer saber mais, sempre sem complicar o que não precisa de ser complicado. O meu combustível? Um café bem forte e uma boa desculpa para ligar mais um instrumento.

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